Crianças e Internet: Conectividade precoce pode ser um risco invisível

O acesso digital cresce entre os pequenos, mas especialistas alertam para os impactos no desenvolvimento infantil.

Na era digital, a primeira tela já não é a da televisão, mas a do celular. Dados inéditos divulgados pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), revelam um crescimento expressivo no uso da Internet entre crianças de 0 a 8 anos no Brasil. Se em 2015 apenas 9% dos bebês de até dois anos tinham acesso à rede, esse número saltou para 44% em 2024.

O que esses números realmente significam?

O estudo mostra que o aumento no acesso à Internet está diretamente ligado à popularização dos dispositivos móveis e ao impacto da pandemia da COVID-19. Crianças de 3 a 5 anos que possuem um celular próprio passaram de 12% para 19% entre 2019 e 2021. Já na faixa de 6 a 8 anos, o crescimento foi ainda maior: de 22% para 33%. Isso representa um avanço na inclusão digital e no acesso ao conhecimento, mas também levanta preocupações sobre os efeitos da exposição precoce às telas, como impactos no desenvolvimento cognitivo, na socialização e na qualidade do sono.

Embora o acesso às telas, de televisão e computadores, sempre tenha existido, o celular oferece mais horas de exposição e exige mais esforço dos músculos oculares, o que torna a exposição um perigo iminente à saúde do corpo e ao desenvolvimento cognitivo. O uso do celular está associado a atrasos no desenvolvimento da fala e da linguagem, considerando que o bebê fica exposto à tela de maneira passiva durante longos períodos. Estudos da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) indicam uma perda do desenvolvimento da percepção, ou seja, dos sentidos como visão, olfato, audição, paladar e tato.

O abismo social também é evidente. Enquanto crianças de famílias das classes AB têm quase 100% de acesso à Internet, na classe DE esse percentual cai para 69% entre os mais velhos. O mesmo ocorre com a posse de celulares, refletindo desigualdades no uso da tecnologia. Além disso, o uso de computadores está em queda, um reflexo da popularização dos smartphones.

Durante o lançamento do estudo, o gerente do Cetic.br, Alexandre Barbosa, reforça que esses dados são um ponto de partida para debates e formulação de políticas públicas. Como garantir uma infância digital segura e equilibrada?

Essa é a questão central que pais, educadores e governantes precisam enfrentar.

Afinal, crescer conectado é inevitável. Mas quem controla o tempo e o conteúdo consumido? Essa é uma pergunta importante. 

Notícias Relacionadas

  • All Post
  • Sociedade

Fique por dentro, inscreva-se em nosso newsletter.

Você esta inscrito Ops! tente novamente.

Post Populares

  • All Post
  • Ciência e Saúde
  • Cultura
  • Ecologia
  • Economia
  • Educação
  • Esporte
  • Internacional
  • LER, OUVIR, VER
  • Livros
  • Meio Ambiente
  • Negócios
  • Política
  • Segurança
  • Sociedade
  • Tecnologia
  • Turismo

Noticias do Momento

  • All Post
  • Ciência e Saúde
  • Cultura
  • Ecologia
  • Economia
  • Educação
  • Esporte
  • Internacional
  • LER, OUVIR, VER
  • Livros
  • Meio Ambiente
  • Negócios
  • Política
  • Segurança
  • Sociedade
  • Tecnologia
  • Turismo
© 2023 Created with versa comunicação

Categorias

Tags